Incerteza sobre fretes paralisa negocios com soja, diz consultoria
SÃO PAULO - A queda dos preços da soja na bolsa de Chicago não deve diminuir a rentabilidade dos produtores brasileiros, uma vez que a tendência é que os prêmios nos portos do país corrijam essa diferença. O que traz preocupações adicionais ainda é a incerteza em relação aos fretes rodoviários, avalia André Pessôa, sócio da consultoria Agroconsult.
“Nosso problema é muito mais aqui dentro”, afirmou Pessôa durante coletiva, nesta segunda-feira, para apresentar os resultados do Rally da Safra, expedição realizada pela consultoria. “Não teve negócio, ninguém vendeu soja a US$ 8,80 o bushel. Isso é só uma sinalização de que a que preços venderíamos se estivéssemos fazendo negócios”, completou.
Nesta segunda-feira, o contrato mais negociado de soja, com vencimento em julho, fechou a US$ 8,745 em Chicago, com recuo de 20 centavos de dólar ante o pregão de sexta-feira. Enquanto, o prêmio pago pela soja brasileira de mesmo contrato em Paranaguá (SP) ficou em U$ 1,40 o bushel, segundo Luiz Fernando Gutierrez Roque, da Safras & Mercado. No começo do mês, o prêmio estava em US$ 0,50 o bushel.
“Esse prêmio também não reflete negócios reais. Um volume muito pequeno de negócios foi realizado”, disse Pessôa. Segundo ele, o mercado de venda antecipada está parado e as vendas da safra de milho 2017/18 também estão travadas.
De acordo com o sócio da Agroconsult, mais de 70% da safrinha de Mato Grosso está comercializada. “Vai ser embarcado com um frete mais caro, mas isso não vai desfazer os contratos que já foram fechados de venda antecipada. A incerteza fica com o que ainda não foi vendido”, disse.
Os fretes rodoviários também geram incerteza em relação ao abastecimento de insumos para a safra 2018/19. “Tem muito navio parado em porto ainda. A cadeia de fertilizante está parada e se a situação não se resolver logo, o mercado pode se complicar”, afirmou.
A consultoria reduziu, mais uma vez, a estimativa para a produção de milho de inverno (safrinha) no ciclo 2017/18 no país. A projeção de abril apontava para uma colheita 60,2 milhões de toneladas e foi reduzida para 55,2 milhões de toneladas.
De acordo com Pessôa, essa redução reflete lavouras em condições piores que as inicialmente esperadas no sul do Mato Grosso do Sul e oeste do Parana. Para o Mato Grosso do Sul, a Agroconsult trabalha com produtividade de 63,5 sacas e, no Paraná, de 66 sacas por hectare para o milho safrinha.
A área de milho de segunda safra no Brasil caiu 3% em 2017/18, estima a consultoria. A produtividade média no Brasil deve ficar em 78,9 sacas por hectare, bem abaixo das 94,6 sacas por hectare do ciclo passado. Considerando as duas safras de milho, a consultoria estima que a produção total brasileira ficará em 82 milhões de toneladas, queda de 17% ante a temporada 2016/17.